quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Dez-encontro!



“... houve ânsia de apunhalar a espera mas conteve-se no incontrolável.”

Por algum tempo estavam elas distantes do mundo interno e particular, amantes do vento sem rumo, que por ironia cruzou seus passos, o tempo chegou junto ao tardar e como outrora optaram por seguir caminhos desiguais.
Frente a frente seus olhares se esbarram e dizem o que seus lábios hesitam, são ganhas e perdas na mesma freqüência. Um dia foram elas duas meninas.  De fato há afeto que transcende a anos, e vidas quiçá. Há afeto, elas sabem e reconhecem sua existência, um nó permanente as une, tão a sós. Duas mulheres em momentos amantes, frente a um inoportuno desencontro e agora a vida lhes ensinando o valor dos escassos encontros que permite. Uma chora, como outrora alguém chorou, sente as lagrimas que outrora alguém sentiu, essa é a perda e o ganho que se mostra ao fim de uma deslumbrante possibilidade.  Foram sensatas cada uma em seu tempo, cúmplices e fiéis ao que suas almas transpareciam e exigiam... Vestem-se puramente de desejos que em segredo sentem, tornando-as assim nuas aos olhos de todos. Seus olhos não escondem o sentimento particular que se instala em suas almas, mas suas palavras infiéis aos sentimentos tentam enganá-las.  A verdadeira face do amor é essa, entre desencontros e encontros a tristeza se faz presente, acreditem ela é essencial, alegria contínua lhes afastaria da felicidade plena, esta que é ‘só’ e não multidão, é silêncio e paz e não exaltação da alegria. Tão somente é. A raridade não pretensiosa lhes promete uma nova chance de encontro futuramente, e quando lhes perguntarem: vocês estão felizes? Logo,  uma subliminar mensagem nascerá entres olhares e nenhuma palavra será proferida, estará claro que elas deixaram de ESTAR para SEREM, serem plenamente felizes.

A descontinuidade do amor subentendido que existe é feita de tempo, e apenas uma delas sabe que... 

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