terça-feira, 14 de janeiro de 2014

E então eu compreendi!

Somos todos parte dum montante de grãos de areia, espalhado em um, dentre bilhões de outros grãos denominados planetas, que buscam a evolução individual e também a conjunta.
E foi compreendendo isto que minha vida começou a ganhar novo contorno. 
A reviravolta. Eu me vi do avesso por meses, para não dizer anos, e descobri que o avesso não é o meu lado certo, diferente do que muitos creem.

Primeiro vieram as mudanças de pensamentos, foi uma árdua tarefa, mas me vi livre das amarras negativas que eu mesma criei dentro da cela onde mantive-me em cárcere por anos, cela esta, sem grades, que me mantinha por vontade inconsciente e constante, porém, fardando a terceiro algo que, mesmo sem perceber, só cabia a mim. A culpa por estar confinada naquele desagradável momento era única e exclusivamente minha. Eu me dei conta, eu não estava lúcida para a vida.

E você? Mesmo aí no trabalho, no passeio, mesmo com os olhos abertos, fazendo alguma coisa, lendo este pedacinho de mim, você está acordado? 
Você realmente está acordado?

Somos todos donos do nosso presente, a razão por estarmos “assim”, “aqui” ou “acolá”  é fruto do que plantamos outrora.
Mas como eu havia começado a falar sobre mim...

Houve uma mudança gradual e perceptível em meus pensamentos e no modo como vivo.
Quando compreendi que eu sou o momento que vivo, as coisas ficaram mais claras e sutis, mas isso não significa que estou totalmente equilibrada, ainda vivo minhas dificuldades todos os dias, porém, com mais leveza.
O mundo a minha volta está mais próximo de mim, ainda há muito o que consertar, mas já subi alguns degraus dentro da minha própria história.

As perguntas que outrora tinha, já não tenho mais, não significa que encontrei as respostas, mas eu também não desisti delas, apenas me desapeguei como fiz com tantas outras coisas. Me vi num momento onde haviam apenas duas saídas, ou eu seguia a caminho da elevação, o que seria um caminho árduo a percorrer, porém gratificante, ou me entregava duma vez a "sei lá o que" e estaria hoje "sei lá como". Não preciso dizer qual caminho decidi tomar e estou seguindo, certo?!  

E foi então que deixei de lado os questionamentos e passei a agir.

Invés de questionar tanto ao céu o porquê de eu viver daquele modo, passei a me vigiar e a pensar antes de qualquer ação, agir mais com o coração, coração este, que, eu julgava ser tão piegas, e que descobri a pouco que é mais intuitivo do que meu próprio ser, para todas as perguntas que faço, é dele que vem o primeiro sinal, através da sensação de desconforto ou conforto no cardíaco me vêm as respostas se devo ou não agir de tal modo em determinada situação.

Invés de questionar o porquê de ter alimentado mágoas por tais pessoas por tanto tempo, criei o hábito de pedir perdão a tudo e todos que nesta ou outras vidas eu tenha feito algum mal, perdoava  e perdoo instantaneamente a todos e tudo que em algum espaço dessa jornada ou de outras vidas tenha me causado algum mal, e mais que isso, a quem eu podia e posso pedir perdão olhando nos olhos, fiz e continuarei fazendo. 
Nós aceitamos as ofensas, nós escolhemos nos magoar, assim como escolhemos ser agradecidos por um pequeno gesto. 
Cabe a nós saber escolher o que nos faz bem.

E a pergunta que parecia ser a mais difícil de desapegar e que eu mais fiz em todos esses anos foi, “por que “aquelas pessoas” querem tanto o meu mal?”
Intercessão é a resposta, passei a colocar cada uma dessas pessoas em cada e toda oração que fazia e faço, foi me ensinado intuitivamente que devo abençoar a cada um que me amaldiçoa. Entendi que, quem mais precisa de amor não são os que nos retribuem o amor, mas sim, aqueles que nutrem dentro de si o ódio, a raiva, a magoa. 
Quem mais precisa de amor é quem não sente a plenitude do que é amar.

Uma pequena história para entenderem do que estou falando.
“Certa vez um garotinho chegou em casa pisando forte e disse ao pai:
- Estou com muita raiva do Lucas, papai! Ele me envergonhou na escola na frente de todos os meus coleguinhas, e agora eu desejo tudo de ruim pra ele!
    O pai então sorriu e o levou até o quintal, com um saco de carvão, então disse:
- Meu filhinho amado, quero que jogue os pedaços de carvão naquele lençol que está pendurado no varal, jogue como se ele fosse o Lucas, logo voltarei.
    Então, o pequeno, mesmo sem entender  e empolgado com a brincadeira, começou a fazer o que teu pai pediu.
     Ao final, o pai retorna ao quintal e o garoto diz estar feliz por ter sujado uma parte do lençol, como se fosse o coleguinha.
    O pai, por sua vez, o leva diante do espelho e para a surpresa do garoto, a aparência dele era tão preta, tão suja, que mal conseguia enxergar os próprios olhos. 
O pai então concluiu:
- Veja meu filho, o mal que desejamos aos outros é como esse carvão. Ele pôde até sujar um pouco o lençol, mas na verdade o maior prejudicado foi quem o jogou.
     Não vale a pena alimentar o ódio, ele penetra como uma doença no coração do homem. Corrói, destrói e o deixa em ruínas.”


Nada passa abatido aos olhos da vida, todo o mal que fazemos aqui, aqui mesmo pagamos. 
Lei da causa e efeito. Do mesmo modo, toda a nossa doação, todo o bem que fazemos, todo o amor que enviamos, o universo nos retribui de bom grado.
Quando entendi que a transformação do meu interior era primordial e ia além da mudança da vida externa, comecei notá-la, sem muito esforço, mas com perseverança.
Comecei com pequenos passos, como um bebê que está aprendendo a andar, no meu caso reaprendendo, e assim a realização começou dentro do meu coração, despertei do sono que estive, e procuro manter-me lúcida e consciente dentro e fora de mim, mesmo sendo um tanto afanoso. 
Sabe, não é necessário deslocar os móveis de lugar, mudar de casa ou de cidade, o mundo te abraça quando você o abraça, é necessário apenas se abrir para o agora, aceitar  com resignação os momentos, principalmente os maus momentos, afinal, são com eles que mais aprendemos, e é assim que tenho aprendido, percorrendo a tempestade, pisando em cacos.. As cicatrizes me servirão para lembrar por onde andei, quem fui, por onde devo andar e quem sou e quero ser.

Quando começamos a caminhar rumo a vibração sútil do nosso ser, desde o simples vigiar de pensamentos até a ação do calar, a transformação se inicia. 
O silêncio é terapêutico, instrutivo e edificante. 

Este foi o modo como  deu-se inicio dentro de mim, mas não há um jeito certo ou uma fórmula especial para acontecer, ela apenas se apresenta, cada qual no seu tempo.
Algumas pessoas percebem antes da situação ficar dificultosa, outras percebem por ter um coração bondoso adormecido e assim com o amor, porém, no meu caso, aprendi com a dor, não que eu não tenha um coração bom, pelo contrário, ele apenas vivia perdido na escuridão do meu ser, e acreditem, me sinto mui agradecida por ter sido deste modo, por ter vencido a escuridão. Os ensinamentos que a mim foram passados não poderia ter acesso de outro modo, não é algo racional apesar de principiar na consciência, é alma, é sentir.

A mudança vem de dentro e transparece através dos nossos olhos, do nosso sorriso, dos nossos gestos para com o nosso próximo, e conosco mesmo.
Quando nos permitimos a ser livres das amarras cuja fora citadas acima, a energia vibra e flui entorno e através de nós, nos tornamos um feixe de luz, feixe que aproxima e reaproxima amigos de bom coração aqui encarnados e desencarnados e que dissipa velhos e maus hábitos,  pensamentos negativos, dissolvendo então obstáculos e bloqueios. 
Essa energia cura a nós e a todos a nossa volta, contudo, essa energia não surge dentro do nosso tempo linear, ela surge quando nos permitimos verdadeiramente e aceitamos tudo o que nos acontece, nos desapegando do passado em que apesar de termos vivido não nos pertence, nos desapegando das magoas e de tudo aquilo que mancha nossa aura, nossa história.

Ainda vos digo que o melhor caminho é o amor, nada para o que ainda não estejamos realmente preparados se manifestará para nós. Essas linhas podem ter aparentado ser fácil, mas não se ludibriem, disposição, persistência, humildade, disciplina, dedicação interior e amor formam o ponto de corte certo que possibilita a cura plena, mas a luta é diária.  Quando tudo se ajusta, quando teu espirito se assenta dentro corpo que lhe fora dado e se conforta com tudo o que está à volta, são liberadas as energias de consolo, de alegria, de amizade, de amor incondicional, e então a libertação, a iluminação e a mudança acontece.
Vigiem-se todos os dias.
Não é simplesmente agindo de forma diferente que nos ocorrem as mudanças, é agindo de forma diferente e verdadeira com amor incondicional, quando nos entregamos piamente às nossas experiências sejam elas boas ou ruins e participamos conscientemente de tudo o que a vida nos evidencia, e colocamos o amor, o perdão e a compaixão por todos e principalmente por nós mesmos a frente de toda e qualquer barreira, aí então a mudança bate em nossa porta e nos entrega a felicidade plena.