quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Desinteressante desamor

A alguns anos eu li um artigo que eu pensei “Que merda é essa que estão falando? Impossível isso acontecer!” e justamente um novo artigo lido a poucos minutos que diz “Albert Einstein disse que, quando a tecnologia ultrapassar a interatividade humana, o mundo terá uma geração de idiotas” me fez lembrar aquele primeiro artigo que eu desprezei. Faça o seu condenamento particular a meu respeito se quiser, eu já estou condenada só por manter o tipo antigo. Não serei hipócrita em dizer que não gosto da tecnologia, sim, eu gosto, tanto que tomei como profissão e tenho seguido por este caminho, mas para tudo há limites, limites que muitos estão ultrapassando e o que é pior, de modo consciente. Então vamos bater um –quase- papo. Meus caros, se é que posso chama-los assim, nós estamos destruindo o mundo e principalmente o amor. Especialmente o amor, aquele amor antigo, amor que está literalmente desmoronando diante dos “nossos” olhares tão distantes e perdidos que não tem feito nada para reverter a situação. E seremos seres de muita sorte se essa merda toda não acabar em guerra. Veja bem, eu gosto de role, de bar, de cervejada com meus amigos, mas eu não preciso ser babaca por isso, e não sou. Eu gosto de fazer amizades em cada canto que eu vou, de conhecer lugares novos, de ficar sozinha também, mas veja bem, eu não preciso agir como uma babaca por isso. Eu amo minha liberdade e prezo por ela acima de tudo, mas eu não sei de onde tiraram a estupida ideia de que no amor não há liberdade. Só por precaução, tatuei em mim a alguns anos a seguinte frase “O AMOR É LIBERTADOR”, para caso -por alguma razão e em algum momento- me esquecesse. Dói meu órgão coração, dói minha alma ver o bocado de gente que evita.. Evita afeto, evita sensibilidade, evita entrega, evita sentir, porque afinal, a moda agora é desapego, é pegar sem se apegar. E cá entre nós que terminho nojento. Nasci em 1989, ainda sou jovem, nunca tive tanto afeto familiar, e confesso que não sou tão ligada aos laços familiares, sobre o amor o que sei eu aprendi na rua, aprendi vivenciando todos os amores que pude, amores reais, amores que fracassaram, amores que se transformaram em grandes amizades, que doeram – que doeram um bocado- mas que eu sempre sobrepus mesmo após os términos o melhor que eu podia de cada um deles. Mesmo após tantas mentiras, mesmo após traições, mesmo após a falta de reciprocidade em questão de lealdade e parceria, de estar, de querer.. Podem me julgar como quiserem, mas eu experimentei coisas que se eu não tivesse tido coragem de me permitir eu jamais saberia como seriam. Eu tinha todos os motivos que você imaginar para hoje ser incrédula sobre o amor (e talvez sejam estes os motivos que os tornam incrédulos) mas não, eu fiz diferente, a cada tombo que tive, levantei, sacodi a poeira e lá estava novamente pronta pra viver o que tivesse que viver, e é isso que falta hoje, falta coragem, falta disposição.. Como diz uma frase que tenho visto muito nos últimos dias “o teu próximo amor não tem culpa do anterior” e não é que é verdade. Afinal qual a justificativa pra tanto desafeto, tanto não me toque, não se apaixone, não vou me envolver? Qual a justificativa pra tanto beijo na boca, sem um boa noite com um beijo no final do dia? Pra tantos “troféus” sem um “vem cá, deixa eu te fazer um cafune até você dormir?” Desabafo porque temo por mim, pelos meus sobrinhos e pela merda toda que eles herdarão se “continuarmos” a agir assim, temo pelos teus sobrinhos, pelos teus filhos e pelos filhos dos teus filhos. Que geração de babacas é essa que estamos dando força para se levantar? Onde numa roda de amigos, onde estão a menos de 40cm um do outro se comunicam pelos celulares. Não é que precisemos evitar os smartphones, os meios de comunicação são sim bem uteis nos dias de hoje, mas “aprendamos” a usar, que não deixemos que a proximidade nos apague e nos afaste do que é real. Eu sou crente, crente de que só o amor salvará essa parada toda no qual “estamos” nos permitindo afundar. E isso que eu nem falei das drogas, só do amor –não que ele não seja viciante- ou da falta dele. Eu, do tipo 8 ou 80, se é só pra molhar meus pés eu me recuso entrar, se eu gosto eu cuido, eu mimo, eu tiro sorrisos, eu busco fazer o máximo de bem que eu puder. Se me interesso, demonstro, sem meio termo, não fujo, não corro, arrisco, pago pra ver. Eu tenho coragem, eu vou até onde eu acreditar valer. Eu gosto de estar perto, de ver, de sentir, de ouvir. E sim, eu sinto saudade... Me permito sentir, afinal eu sou carne, eu sou emoção além de razão. Tenho notado a falta de afeto, a frieza nas mensagens, as risadas digitadas na verdade não dadas, aqueles encontros que nunca saem, a competição/joguinho de quem demora mais pra responder, a sobra descancarada de desinteresse. É triste! Não “permitamos” que isso corroa nosso cérebro, nossas vísceras, nosso coração, nossos sentimentos, nossa essência. Não “desperdicemos” a oportunidade de nos permitir a entregas profundas, não a beijos rasos sem afeto algum. Que na cama tenha calor, tenha suor se misturando, tenha cheiro nos lençóis, cabelos embaraçados, tenha marcas deixadas na pele, com as mãos, com as unhas, com a boca, algo que demonstre que ali tem carne, tem fogo, tem algo além de uma transa descompromissada onde cada um acredita que fez teu papel, se veste e vai... Vai para uma próxima transa, já que uma transa sem afeto garante o desapego. Eu, particularmente, nunca gostei de coisas rasas e superficiais, e acho que não ‘precisamos” ser assim, então apenas permitam-se um pouco mais, demonstrem um pouco mais. Nós não nascemos assim, tão frios, programados a desapego, então não precisamos seguir por este caminho cinzento que está se formando sob nossos pés. Não torne pedra o que tem vida, permitam sentir. Meu mais sincero pedido de desculpa a todos os que não se enquadram nas atitudes mencionadas acima.