sexta-feira, 3 de abril de 2015

Nocaute



E mais uma vez, vos digo, sou mais uma sobrevivente.
Foi um nocaute sem jeito, um nocaute doído, um nocaute covarde..
Certeiro!
Um soco ligeiro na têmpora capaz de atingir a alma. Bambeei.
Mais um soco. NÃO!
Aquele gosto amargo de sangue, aquele zunido ensurdecedor, e o breu.
Breu que doeu, perdeu, sentido, chorou, clamou, sofreu, caiu.. Sobreviveu.
Sobreviveu!
A lona vermelha cheirando borracha, e eu ali estática. Vi tantas coisas lindas passarem em forma de filme naquele espaço de tempo, que mal deu para acreditar que eu ainda estava ali.
EU AINDA ESTAVA ALI.
Aquele sentimento tão lindo, aquele sentimento tão forte, e tão frágil. Partiu.
Partiu a pele, partiu a alma, partiu o que não era físico, mas o que mantinha o físico tão perto.
Gritou, gritou, GRITOU
A voz não saiu.
Ninguém ouviu.

Socorro!
Doeu.
Está doendo.
Há algo quebrado. Há algo errado.
A separação descontente, cravou uma espada bem aqui dentro do peito, este mesmo peito que enchia os pulmões para gritar aos sete mares todo o amor que levava, esse mesmo peito que se estufava de alegria ao ver aquele sorriso, hoje inerte.

Mas aquele nocaute me deixou na lona,tirou o ar, e trouxe a tona o que eu não queria acreditar.
Eu só preciso respirar

Puxo o ar, mas não consigo.
Enfureci quando despertei, a luminosidade foi vencendo o breu, mas quando me dei conta, eu preferia não ter acordado, eu já nem era eu.
Não!

Um comentário:

Michele Pupo disse...

"E o pulso ainda pulsa", como diria o Antunes.

Gostei. É um conto? Ou um devaneio?

Bjs, Natallia.